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Redes, ensino e conhecimento

As redes que ligaram a ciência, as escolas e o ensino superior português — da RCTS de 1997 ao campus sem fios — e a memória da web no Arquivo.pt.

Leituras deste tema

Redes, ensino e conhecimento

O que é a RCTS e porque nasceu em 1997

A rede que integrou escolas, universidades e investigação numa só rede de ciência e educação — e que continua a ser a espinha digital do conhecimento.

Redes, ensino e conhecimento

Como funcionou o e-U Campus Virtual

Mais de 5.000 pontos de acesso e roaming entre instituições: a rede sem fios que fez do ensino superior português um único campus virtual.

Antes dos portais de serviços públicos e das assinaturas digitais, a aposta portuguesa na sociedade da informação passou por ligar quem produz e quem aprende conhecimento: laboratórios, universidades, institutos politécnicos e escolas. Este caderno reúne essa história em quatro fios — a rede que nasceu para a ciência, o campus que ficou sem fios, a banda larga que chegou às salas de aula e o arquivo que guarda a memória de tudo isto.

O fio mais antigo começa em 1997, ano em que Portugal se tornou um dos primeiros países a integrar as escolas na rede computacional de investigação e do ensino superior, ao constituir a RCTS – Rede Ciência, Tecnologia e Sociedade, com o objetivo de assegurar uma rede integrada de investigação e educação. Segue-se o salto de janeiro de 2006, quando todas as escolas públicas do 1.º ao 12.º ano ficaram ligadas em banda larga à Internet — um ano antes, apenas 18% o estavam. Pelo meio, o ensino superior ganhou um campus sem fios único, o e-U Campus Virtual, que só em 2005 passou de 8 para 57 instituições e somou mais de 5.000 pontos de acesso. A fechar o percurso está o Arquivo.pt, o serviço público que preserva milhões de ficheiros recolhidos da web desde a década de 1990 — e é lá que estão guardadas as páginas que documentam a maior parte desta história.

A espinha dorsal: a RCTS, desde 1997

A RCTS nasceu com uma ambição dupla: ligar a investigação e a educação numa única rede e trazer as escolas para dentro dela — logo nesse ano ficou assegurada a ligação de todas as escolas do 5.º ao 12.º ano. A rede continua ativa: é hoje a infraestrutura digital de conectividade e computação que a FCCN – Fundação para a Computação Científica Nacional dirige à comunidade de investigação e ensino, contando com pontos de ligação em 24 cidades portuguesas. Podem aderir-lhe instituições do ensino superior, laboratórios do Estado, laboratórios associados e unidades de investigação e desenvolvimento, e o catálogo de serviços vai do acesso IP à fibra ótica à medida, passando pela resposta a incidentes de segurança e pela eduroam — o serviço que permite à comunidade académica e científica ligar-se à internet em todo o lado. O texto sobre o que é a RCTS e porque nasceu em 1997 conta este percurso.

Um país inteiro dentro de um só campus sem fios

Também no ensino superior a aposta foi na rede. Já no tempo da UMIC – Agência para a Sociedade do Conhecimento, I.P. — a entidade pública que coordenou as políticas para a sociedade da informação entre 2005 e 2012 —, o e-U Campus Virtual integrou universidades e institutos politécnicos num único campus sem fios, com mais de 5.000 pontos de acesso e «roaming» interinstitucional, num projeto concebido e coordenado pela agência com apoio técnico da FCCN. Só em 2005, as instituições abrangidas passaram de 8 para 57 — 85% de todo o ensino superior, mais de 300 mil estudantes — e em novembro de 2008 a rede contava já 80.000 utilizadores. Foi, segundo a página da época, a maior rede sem fios académica do mundo, enquanto não começou a ser replicada em países maiores. O texto sobre como funcionou o e-U Campus Virtual detalha os números, os acordos e o que ficou.

A banda larga entra na sala de aula

Nas escolas, o percurso foi mais comprido. Portugal foi um dos primeiros países a ligar todas as escolas à Internet por RDIS, em 2001, mas a banda larga demorou: só em janeiro de 2006 todas as escolas públicas do 1.º ao 12.º ano ficaram ligadas, com exceção de um pequeno número das que iam deixar de funcionar no verão desse ano — um ano antes, apenas 18% o estavam. A ligação era mantida pela FCCN, com os custos repartidos entre a UMIC, para as escolas do 1.º ciclo, e o Ministério da Educação, para as restantes.

À ligação somaram-se programas de uso. O Internet@EB1, aprovado no início de 2002 e coordenado pela FCCN, pôs escolas superiores de educação dos institutos politécnicos a acompanhar escolas do 1.º ciclo e concedeu mais de 160 mil diplomas de competências básicas em tecnologias de informação; em 2005/06, o sucessor CBTIC@EB1 envolveu 6.583 escolas — 89% do 1.º ciclo —, 17.417 professores e 175.111 alunos. Em agosto de 2007 foi aprovado o Plano Tecnológico da Educação, com metas como uma média de 2 alunos por computador com ligação à Internet (eram 9,6 em 2006), videoprojetor em todas as salas de aula e um acesso de pelo menos 48 Mbps em todas as escolas. Em 2008/09, o rácio já era de 2,1 alunos por computador. O texto sobre a chegada da banda larga às escolas em 2006 segue estes números em detalhe.

A memória que a web foi deixando

Resta a pergunta: onde foi parar tudo isto? Grande parte das páginas que contam esta história teria desaparecido com os sítios que as alojava, se não existisse o Arquivo.pt — o serviço público que preserva milhões de ficheiros recolhidos da web desde a década de 1990, através de recolha e armazenamento periódicos, processados de forma automática por um sistema informático distribuído de larga escala. Qualquer pessoa pode pesquisar lá o passado da web portuguesa. É o caso das páginas da própria UMIC citadas neste caderno: a página «TIC nas Escolas», de onde saíram a maioria dos números sobre as escolas apresentados acima, ficou conservada no Arquivo.pt tal como foi captada em julho de 2011. O texto sobre o Arquivo.pt e a memória da web portuguesa explica como fazer essa pesquisa.

Para confirmar o essencial por si próprio, o gesto é este: abrir a captura de julho de 2011 indicada acima e cotejá-la com a página atual da FCCN sobre a rede RCTS, que mantém públicos o mapa de fibra e a lista de entidades ligadas — o retrato da rede de hoje lê-se melhor ao lado do que ela prometia à partida. Os outros dois cadernos desta publicação completam o mapa: a sociedade da informação e o Estado digital e a inclusão digital e a acessibilidade.

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